Tenho participado de muitos papos sobre empreendedorismo – como sempre – e uma das discussões que aparece com enorme reincidência é a coisa do investidor, um bicho estranho, mais raro que algumas espécies em extinção aqui no Brasil e estigmatizado de tudo o que é jeito por aí.
Penso que vale algumas reflexões sobre o assunto:
1. Ter de um lado alguém com dinheiro que possa ajudar e, de outro, alguém com um bom projeto, é uma oportunidade muito interessante. Muito interessante mesmo. Eu tive e tenho investidores.
2. Conflitos sempre existirão, claro. Mas prevalecendo a conversa aberta e franca, até mesmo sobre os objetivos mais macros, quase filosóficos, a relação é totalmente ganha-ganha. Não é paraíso, isso não existe.
3. Achar que os problemas que acontecem por aí sejam sinais de que assim não seja, é o mesmo que achar que sociedade não presta porque um amigo brigou com o sócio. Algumas sociedades podem não prestar, mas outras dão certo. Investidor/empreendedor é a mesma coisa.
4. Todo mundo tem que ter um investidor? Claro que não. Muitos negócios não precisam de investidor e podem ser viabilizados sem eles. E muitos empreendedores não acharão um investidor e terão que se virar sem eles.
5. Todo Business Plan (BP) deve ser feito para um investidor? Nunca, o BP tem que ser feito como um guia para você mesmo e nunca para alguém de fora. Quanto mais real ele for, mais um investidor vai acreditar nele.
6. Tem gente demais desenhando empresas e montando BPs só pensando em investidor? Sim. Como investidor no Brasil é coisa rara, acaba tendo gente demais com projetos e planos e sem o investidor, ou seja, sem projeto nem empresa. Pense seu negócio com e sem investidor. Muitas vezes dá pra começar pequeno, dar os primeiros passos e com o negócio já andando, achar o investidor… ou descobrir que nem precisa dele.
7. Tem investidor por aí esperando seu projeto? Não. O Brasil tem ainda muito poucos investidores, uma grande parte deles organizados para negócios maiores e o entendimento do que é um investidor anjo (Angel investor) é ainda muito novo.
8. Tem muito mais gente que investe em negócios no Brasil do que a quantidade dos que se intitulam “investidores”.
9. Investidor não é Papai Noel que veio te dar um presentinho e fazer o seu sonho acontecer. Ele veio I-N-V-E-S-T-I-R no seu negócio, portanto espera resultados, crescimento, oportunidades.
10. O investidor quer SIM ganhar dinheiro com você. Se você tem um negócio só pelo prazer ou pela realização do mesmo, cuidado. Talvez seja melhor não ter um investidor, pois os conflitos serão enormes.
11. Investidor é de Vênus e empreendedor é de Marte, ou vice-versa? Não. Logicamente que você empreendedor tem que tocar o negócio e ele financiará o mesmo, o que os coloca em posições diferentes. Porém, não antagônicas. Ambos querem o sucesso do negócio. Se há conflitos demais é por que não alinhamento do projeto, dos resultados ou até mesmo das pessoas.
12. Tem muita gente que não montou negócio porque não achou um investidor para aquele pedaço de papel ele ou ela chama de Business Plan.
13. Se você vai buscar um investidor, esteja seguro que a sua resposta para a pergunta a seguir seja SIM. “Você investiu (investiria) seu próprio dinheiro no negócio?” Se lá no fundo você pensar (mesmo que não diga abertamente) um “eu? Nem a pau, tem risco demais, vou deixar meu dinheirinho guardado…” é muito pouco provável que você NÃO arrume um investidor.
14. Por fim, não deixe que a falta de um investidor vire uma boa desculpa para você não montar o seu negócio. Eles são poucos, é difícil achá-los. Tem projeto demais por aí disputando o espaço e o capital, tudo verdade. Mas isso não significa que você não possa montar sem dinheiro (ou com seu próprio ou de sócios), ou achar um investidor que nem parece investidor, ou ainda encontrar outras formas de financiar seu negócio (clientes, por exemplo) e viabilizar seu sonho.
Uma parcela enorme desses “não empreendedores por falta de investidor” não são empreendedores, são apenas oportunistas. Jogaram uma isca e estavam tentando pescar qualquer coisa. Muitos deles sem sequer sair da zona de conforto de seus empregos.
Os verdadeiros empreendedores, em todos os tempos e em todos os lugares, sempre realizaram coisas improváveis (pra não dizer impossíveis) e não foi a falta de um investidor quando tudo era só um pedaço papel, ou de guardanapo de um bar, que impediu que grandes negócios nascessem.
Bons negócios a você, com ou sem investidor!
Bob Wollheim
Fonte: www.wnews.uol.com.br